sábado, 13 de janeiro de 2018

Design Thinking: aprenda como criar experiências de aprendizagem inovadoras

Olá, leitor!
O que é design thinking? Como utilizá-lo e criar experiências de aprendizagem inovadoras?
Primeiramente temos que tratar da noção sobre “design thinking” como “forma de pensar” e que possui sua origem na engenharia. O professor Rolf Faste, definiu este termo como uma forma de ação criativa. Podemos afirmar que “design thinking” é um método prático e criativo de solução de problemas ou de questões, com vistas a um resultado futuro.
Focando na solução dos eventos e não somente no evento em si. Observando simultaneamente o problema e as possíveis soluções para se encontrar a forma mais adequada de realiza-la. Ou seja, definindo objetivos que atendam as demandas da solução, podendo até modificar o problema inicial.
Podemos afirmar que Design Thinking é o conjunto de métodos e processos para tratar um problema ou uma situação; tendo como norte o relacionamento de futuras informações, de análise de conhecimento e de propostas de soluções.
Ao buscar diferentes ângulos e pontos de vista na perspectiva de uma solução adequada a um grupo. E se combinar diferentes conhecimentos, capacidades e habilidades se torna mais fácil a resolução das demandas que surgem; favorecendo assim a resolução dos processos e problemas de um modo inovador.
Assim, o termo design thinking propõe que seja utilizado um novo olhar diante de processos e problemas complexos. Tendo uma empatia do sujeito ou do grupo que realiza determinado empenho. Gerando resultados desejáveis, com menores custos e de forma prática, transformando assim a realidade existente.
Características do Design Thinking
Design_thinking
1 – Colaborativo: envolve as pessoas na visualização do processo e inclui todas as possíveis abordagens. Tendo uma equipe multidisciplinar envolvida para encontrar as soluções possíveis para aquele problema.
2 – Empático: à medida que se compreende os valores e sentimentos dos envolvidos no processo. Visualizando as necessidades e corrigindo o que for necessário. Escutando os diferentes pontos de vista e produzindo algo que vai de encontro com a real necessidade.
3 – Integrativo: é uma abordagem que está aberta a diversas formas de pensamentos e opiniões sobre o mesmo assunto. Colaborando para o processo com pensamentos críticos e as experiências já vivenciadas. Podendo utilizar multimídias e diferentes tecnologias de informação.
4 – Subjetivo: é uma abordagem que valoriza a subjetividade do ser nas diferentes etapas do processo. Tendo um acompanhamento da evolução e da resolução dos problemas. Podemos afirmar que quando se trabalha com o critério de aproximação, há uma construção significativa da confiança. Com isso, as pessoas conseguem expor melhor suas ideias e pontos de vista sobre determinado assunto ou processo.
5 – Otimista: esta abordagem valoriza o pensar e o modo de fazer de cada indivíduo. Acreditando-se que existe uma maneira diferente e que pode ser melhor que o atual. Esta crença positiva auxilia no estudo do caso e experimentação para a superação do problema.
6 – Experimental: por se tratar de um modelo mental, quando se escolhe uma trajetória se realiza um protótipo. Sim, utiliza de diversos recursos para colocar em prática esta ideia e verificar o sucesso da resposta obtida. Caso não, modifica-se este protótipo verificando quais são as possibilidades de sucesso. Podendo se alterar quantas vezes se fizer necessário.

Como utilizar o Design Thinking na educação

Atualmente, muitas pessoas afirmam que a educação está enfrentando um grande desafio. A principal crise apontada é a velocidade da informação, alguns chegam a questionar o uso da internet versus o livro didático. O uso das mídias digitais versus a lousa e o caderno.
As opiniões são divergentes, porém o que é necessário entender são as motivações de cada grupo. Independentemente do lado que você se coloque. Temos que pensar no aluno, ou seja, quais são os pontos relevantes de cada proposta de aprendizagem.
Cada abordagem possui alguns pontos que podem auxiliar o educador no desempenho de sua função. Há inúmeros desafios desde a sala de aula, o grupo de professores ou o conselho de escola. Não importa o cargo ou função, sempre existirão problemas ou desafios a serem respondidos. Se houver a participação de uma equipe é melhor.
Quando trabalhamos no coletivo, deixamos de lado nossos preconceitos e aceitamos as opiniões alheias que nos darão suporte para a resolução dos problemas ou desafios. O foco é sempre envolver as pessoas para refletir sobre os assuntos que farão parte de suas vidas.
As etapas do Design Thinking
Agora vamos exemplificar as etapas da proposta que o design thinking traz para os educadores; viabilizando a criação de soluções criativas envolvendo a cocriação, a troca de ideias, entre outras.

Descoberta

A primeira etapa é a descoberta, diagnóstico e a observação do problema e das pessoas.
Ao ouvir as pessoas envolvidas, conseguimos identificar quais são as situações de conflito que geraram determinado evento. E com isso delimitamos os envolvidos e o problema inicial.
Podemos afirmar que o processo se inicia com a empatia, a observação das pessoas envolvidas em um determinado evento. Quais são as necessidades e expectativas para a resolução do problema. Após este conhecimento podemos traçar um melhor projeto para a sua resolução.
Bom, mas como iniciar? Precisamos pensar como um designer, tomemos como exemplo o projeto de uma sala, vamos representar como entender o desafio ou problema. O sofá é a revisão do desafio. A mesa é o compartilhamento do que você sabe. A estante é a sua equipe. O rack para televisão é o seu público. A poltrona é o refinamento do plano.
Deve-se utilizar todos os elementos gráficos que possua para fazer anotações. Assim a revisão ficar mais clara e todos poderão entender as etapas do planejamento. Podendo utilizar tabelas, folhas, lembretes e equipamentos multimídias.
A quantidade de pessoas é fundamental, os grupos mais produtivos são de até cinco pessoas. Se houver mais pessoas divida-os, porém, crie momentos para que eles se encontrem e compartilhem os resultados.

Revisar o problema

É necessário revisar o problema. Quando temos bem definido um desafio, temos maior clareza e foco no processo. Reserve um tempo para criar um conceito do grupo: “Quais são os motivos deste trabalho?”. Ações que devemos desempenhar:
  • Colete pensamentos: Comece do amplo e aos poucos delimite;
  • Revise as restrições ou barreiras: Crie os critérios e restrições para o desafio;
  • Redefina o desafio: Observe os pensamentos coletados, reescreva o desafio até se tornar acessível e concreto a todos da equipe;
  • Crie um lembrete visível: Todos da equipe precisam recordar do desafio e do foco no processo.

Compartilhe o que você sabe

Diante de qualquer problema ou desafio precisamos compartilhar o que sabemos. É imprescindível que todos da equipe exponham seus pontos de vistas e seus preconceitos sobre determinado assunto.
Então, escreva o desafio em um lugar visível, acrescente suas anotações do que conhece sobre o assunto. Acrescente as informações de cada pessoa do grupo. Releia todas as ideias coletadas, agrupe por temas e inicie o planejamento de sua pesquisa para elaborar o projeto.

Construa sua equipe

Cada pessoa possui características próprias para a resolução de problemas e desafios. Quando unimos as habilidades e a competência de cada uma delas em prol da resolução de um problema ou um projeto, temos maiores chances de obter êxitoem menor tempo. Um ponto essencial é mostrar que cada um possui um papel importante na equipe e a motivação é o maior bem que existe para que a equipe seja forte.
Ao conhecer o grupo e definir os objetivos individuais se torna mais fácil atribuir as funções de cada pessoa. Compartilhar vivências auxilia a criar exemplos de possíveis respostas e estratégias. Lembre-se sempre de registrar os pontos relevantes do discurso.
Para um bom trabalho em equipe, é necessário também o estabelecimento de regras e normas que o grupo irá seguir. Cada membro é importante, todos devem ter suas tarefas e responsabilidades. Faça acordos e reveja-os constantemente. Valorize as contribuições de todos, proponha reuniões de feedback.

Defina seu público

Para se obter maiores resultados é necessário definir o público. O design avalia as pessoas, suas motivações, necessidades e expectativas. Logo, necessitamos definir bem o público. Quem será impactado com esse projeto? Liste todas as pessoas ou o grupo ligados ao tema.
Caso o grupo seja a sala de aula, entre em contato com estudantes e professores de outras classes. É necessário ter a visão de pessoas ligadas ao problema. Você pode criar um mapa das pessoas envolvidas neste desafio, estas estratégias facilitarão a maior visualização do projeto.

Refina o plano

Primeiramente, tracemos um plano concreto que nos auxiliará a tomar decisões. Reúna a equipe e verifique as metas e prazos para cada tarefa. Organize o tempo e as ações que cada membro irá realizar. Para isso, faça um cronograma anotando as tarefas e reuniões na agenda e mantenha o calendário em um local visível.

Identifique as fontes de inspiração

A inspiração é a fonte das ideias. É necessário planejar atividades que possibilitem investigar diferentes perspectivas e conhecimentos.
Selecione participantes da pesquisa e verifique quais são as pessoas mais interessadas. Agrupe-as por semelhança de temas e não de conduta. Precisa-se pensar em extremos confrontos de ideias, estabelecendo uma lista de tarefas a serem realizadas.

Interpretação

Após a fase de descoberta e coleta de dados, inicia-se a análise dos dados coletados. Esta interpretação transforma relatos em insights que fornecerá elementos valiosos para a resolução do problema. Observações, visitas de campo, entrevistas ou até uma conversa com pessoas que já vivenciaram experiências semelhantes, podem prover as inspirações necessárias para o seu plano.
O design irá reunir todos os conhecimentos: anotações, registros de pensamentos, observações e histórias; transformando em oportunidades de ação. Isso mesmo, com base em todas as anotações, relatos e entrevistas, haverá uma seleção de possíveis estratégias e com isso cria-se um modo de realizar o plano.
Por isso é fundamental que todos os membros da equipe documentem seu aprendizado. Cada pessoa deverá anotar todos os pensamentos, reuni-los e compartilhar com a equipe. Em reunião, a equipe reunirá todas as experiências e criará um relato único, fechando assim todas as contribuições. É necessário encontrar um ponto de vista e uma direção clara para o próximo passo, a ideação.

Ideação

A ideação é a geração de ideias sem se preocupar com seus resultados. O famoso “brainstorming”, preconiza o modo de pensar livre sem amarras de uma forma aberta. Desde as ideias mais simples até as mais ousadas devem ser levadas em contas.
Muitas pessoas afirmam que esse método é desordenado e desestruturado sem resultados. Porém, ele deve ser preparado e planejado para se ter resultados produtivos. Então, prepare-se e dê ínicio a reunião com um tópico definido, faça perguntas pertinentes e fechadas. Colete todas as informações e faça os registros.
Combine com o grupo que todas as ideias sobre aquele tema são bem-vindas sem julgamentos. Construa as próximas colocações com base nas falas dos membros. Estabeleça a ordem de fala e as anotações. Todas as opiniões devem ser partilhadas e anotadas.
Quanto mais ideias, melhores serão os resultados. Evite julgamentos, não se deve pensar neste momento se as ideias estão certas ou erradas, mas sim, em somente compartilha-las permitindo que todos contribuam para o projeto. O brainstorming facilita o pensamento sem juízo de opinião.
Posteriormente as ideias serão selecionadas para a criação do plano. A decisão da seleção das ideias deve ser da equipe. Então, proponha uma votação das ideias e depois as melhore em conjunto. Para poder passar para a próxima etapa.

Experimentação

Ao se escolher e desenvolver a ideia, realiza-se um protótipo, um plano de trabalho. Experimenta-se as ideias, verifica-se quais são viáveis para a resolução do problema. Ao estabelecer o plano, divide-se as tarefas e acompanha o seu desenvolvimento.
Mesmo no início consegue-se visualizar se a resposta está sendo adequada e se há necessidade de altera-la. Obtenha feedback, identifique todas as possibilidades de se ter um retorno transigível das ações do projeto. Uma estratégia é a construção de um roteiro de perguntas, isso facilitará as conversas. Lembrando sempre de registrar tudo.

Evolução

A evolução é o percurso do projeto. Ao se planejar e delimitar ações, temos uma condição temporal, quantos dias e quais serão os momentos do desenvolvimento. Os lembretes e as agendas são importantes para apontar o progresso do projeto.
É necessário acompanhar o aprendizado definindo os pontos de progresso e documentando sempre. Lembre-se, o avanço só aparecerá se houver registro constante e uma interação dos resultados obtidos.

Realizando o feedback

Então podemos dizer que, para utilizar Design Thinking, temos de seguir as etapas descoberta ou empatia onde diagnosticamos o nosso problema. É necessário ouvir as pessoas envolvidas no problema ou desafio para poder delimita-lo.
Depois temos a etapa da interpretação, onde se recolhe todo o conhecimento e organiza-o de forma a estabelecer vínculos. Construindo as percepções ou insights coletivamente e tudo devidamente registrado.
Após temos a ideação, quais são as ideias possíveis que pode lhes ajudar para a solução do problema. De forma coletiva, este levantamento deve ser registrado e ordenado de forma clara. Em seguida há a experimentação onde irá criar alguns modelos de possíveis soluções.
O grupo irá analisar e dar sugestões para melhorar as ideias. Com isso delimitasse o projeto e os passos que cada um irá executar. É importante realizar reuniões para acompanhamento do projeto e a avaliação. Caso haja necessidade, faça intervenções.

Veja o infográfico sobre Design Thinking e aprenda como criar experiências de aprendizagem inovadoras

Design-Thinking-aprenda-como-criar-experiencias-de-aprendizagem-inovadoras-01 (1)
Até mais!